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Análise de uma acção de formação

Posted by J L em Fevereiro 20, 2007

Este trabalho teve como referência as perspectivas teóricas de Roegiers, Hadji, Figari e Palmira. O ponto de partida das propostas apresentadas por estes autores é o modelo CIPP (Context, Imput, Processus, Product) de Stufflebeam.

 

Este modelo tem sido sujeito a algumas criticas, Ketele (1986) refere que o seu carácter global é simultaneamente uma grande vantagem e uma delimitação. Para Hadji (1996) o modelo de Stufflebeam não resolve o problema da ambiguidade do papel e do lugar da avaliação, enquanto que para Roegiers (1997) aquele modelo subestima a diversidade das lógicas no processo de elaboração das acções de formação.

 

No sentido de colmatar estas limitações os autores acima mencionados propuseram o seu próprio modelo. É a partir desses trabalhos que a seguir vamos realizar uma pequena reflexão sobre os dispositivos de formação.

 

De acordo com Roegiers “o modelo de um dispositivo de formação assenta numa lógica complexa e dinâmica” e contempla um determinado contexto (social, económico e cultural). Palmira considera a avaliação de um dispositivo de formação como uma multidimensionalidade integrada e complexa.

 

Hadji e Figari realçam a temporalidade do processo de avaliação (antes durante e depois). Este último autor, no seu dispositivo educativo, considera essa temporalidade intrínseca a três dimensões: induzido, construído e produzido.

 

No modelo de “avaliação plural” Hadji refere o momento que antecede a acção de formação recolhe-se informações sobre o formando de forma a articular o perfil individual e o perfil de formação (avaliação diagnostica, prognóstica ou perditiva). Durante e depois da formação também é necessário reajustar as decisões prévias, por isso toda a avaliação é diagnóstica. As funções da avaliação são no sentido de orientar a adaptar a formação. O modelo ICP de Figari vai mais longe e refere que a dimensão “induzida”, situada temporalmente antes da formação, diz respeito ao conhecimento dos actores, das relações e dos funcionamentos, ou seja, ao conjunto de determinações que abrange não só a vida profissional, mas também à vida individual.

 

Durante a acção de formação o avaliador deverá recolher informações sobre os processos e actividades de produção de forma avaliar e decidir correctamente (avaliação formativa ou progressiva). O objectivo é melhorar a aprendizagem, informar os intervenientes neste processo (formador e formando) acerca do percurso, dos êxitos, e das dificuldades. De acordo com Hadji é a função reguladora da avaliação, existe quer antes, quer depois da formação, procurando uma auto-regulação na qual o formando é participante e protagonista da avaliação.

 

Para Figari a dimensão construído refere-se a tudo o que tem a haver com o processo, negociação e elaboração, é o momento propriamente dito da formação, elaboram-se projectos, intenções e objectivos. Entram em jogo os diversos intervenientes, jogam-se as diferentes estratégias, articulam-se os diferentes interesses e posições do poder. A avaliação cumpre uma função formativa, regulando as produções dos actores e a operacionalização da acção.

 

Segundo Hadji a função sumativa da formação está centrada no produto, este deve possuir as seguintes características: observabilidade, mensurabilidadee comparabilidade.

A sumatividade da avaliação tem um carácter pontual e relativo, pode confundir-se com a avaliação formativa. ex: avaliação feita no final de uma unidade de ensino.

É difícil de garantir uma separação perfeita entre as várias funções da avaliação. Mas só a avaliação sumativa pode cumprir a função certificadora no momento posterior à formação.

 

Relativamente à dimensão “produzido” Figari refere que esta se situará numa temporalidade posterior à acção, no entanto, está inerente a todo o processo da formação. O produzido diz respeito simultaneamente ao processo e aos produtos propriamente ditos. Nesta dimensão a avaliação tem uma função de carácter sumativo em relação aos efeitos e resultados esperados.

 

Depois de referir os aspectos essenciais acerca dos modelos de formação destes dois autores (Hadji e Figari) podemos verificar que ambos assentam numa sequencialidade temporal (antes durante e depois). O mesmo não acontece com o modelo de Palmira, contudo, podemos encontrar outros pontos em comum.

 

Tal como Figari, Palmira têm uma visão ternária da formação da avaliação. No seu modelo das “caixas chinesas”, considera as seguintes dimensões: ordem das condições; ordem das realizações; ordem das objectivações.

 

A ordem das condições é a dimensão que contém todas as dimensões. Trata-se do contexto ou induzido, o qual tem um efeito condicionante durante toda a formação. A avaliação diagnóstica tem um carácter permanente alimentado as outras dimensões e processos de avaliação o que vai ao encontro do pensamento de Hadji quando refere que toda a avaliação é diagnóstica.

 

Quanto à ordem das realizações, a qual está integrada e interdependente da dimensão anterior, considera que um dispositivo de formação é uma série de realizações cujo início e a conclusão é coincidente com o início e a conclusão do próprio dispositivo.

 

As realizações são vistas no seu sentido mais lato incluindo manifestações de necessidades. A função formativa não está confinada ao processo e ao durante, deve contribuir para melhorar as realizações tendo em conta as condições e as intenções. Também para Hadji e Figari, existe uma função reguladora da avaliação que não se confina apenas à formação propriamente dita.

A avaliação formativa deverá acompanhar todo o processo de desenvolvimento e conclusão do dispositivo de formação.

 

A ordem das objectivações está integrada nas dimensões anteriores numa lógica de interacção. Corresponde aos resultados ou efeitos das realizações. Não está limitada à parte final ou posterior da formação, Palmira refere que acontece desde o início até ao fim, contudo no final podemos apresentar um “objecto” acabado fechado e sintético.

A avaliação sumativa não se realiza apenas à posteriori, realiza-se ao longo da acção de formação.

 

 

 

Conclusão

 

Para Hadji o dispositivo de formação corresponde a uma situação complexa devido aos aspectos seguintes: as categorias não são mutuamente exclusivas; as funções da avaliação são muito complexas e cruzam-se entre si; a distinção entre o antes e o depois não é verdadeiramente operatória; a avaliação é uma realidade pluridimensional e multifuncional.

 

Para Figari as três dimensões têm um carácter relacional e interaccional, obedecem a um regime de indissociabilidade porque têm zonas de intersecção e legitimam-se mutuamente. As três dimensões são interdependentes, o induzido é a base do construído que por sua vez dá origem ao produzido, o qual acaba por dar origem a novos dados para compreender o induzido.

 

Para Palmira o dispositivo de formação é entendido como um “ecossistema” no qual há uma relação indissociável e iterativa entre os diversos elementos, cumprindo a avaliação uma função mais geral de construir um sentido para as transformações e as acções dos sujeitos.

 

Todos os autores referem a importância das várias modalidades de avaliação (diagnóstica, formativa e sumativa) para Hadji e Figari estas estão em função da sua indexação temporal ou sequencialidade, enquanto quer para Palmira estão de acordo com as funções que devem cumprir no seu funcionamento: prever melhorar ou verificar.

 

Existe uma articulação concomitante entre as três modalidades da avaliação (diagnóstica, formativa e sumativa). A avaliação diagnóstica pode ser formativa, a avaliação sumativa pode ser formativa. A avaliação preditiva também pode ser sumativa

 

Tentando sintetizar, numa frase, a opinião dos diferentes autores aqui estudados, sugerimos que a avaliação é uma realidade pluridimensional, multifuncional, integrada e complexa.

4 Respostas to “Análise de uma acção de formação”

  1. Emília said

    quem é a palmira?

  2. Maria João Loureiro said

    Pois!!! Seria interessante deixar as referências que explora explicitadas, de maneira a que o leitor as possa consultar. Suponho que auando se refere a Palmira estará a reportar-se ao livro “Currículo e Avaliação: uma Perspectiva Integrada” de MARIA PALMIRA CARLOS ALVES.
    MJL

  3. JL said

    O documento que aqui divulgo foi um trabalho realizada na Universidade do Minho, na Pós-Graduação: Organização e Avaliação da Formação, a qual frequentei o ano lectivo passado. O objectivo deste trabalho era realizar a análise critica de um artigo, ainda no prelo, da Doutora Palmira por isso não é referida qualquer bibliografia.
    Quanto ao nome “Palmira” deverá ser substituído por Alves. Visto que os alunos da universidade no seu dia a dia tratam a Doutora Maria Palmira Carlos Alves apenas por Doutora Palmira … peço desculpa … fui traído pelo “vício” da informalidade. Aqui fica a explicação🙂

  4. tatiana said

    oi que bom poder partilhar as informações
    obrigada

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