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perspectiva socio-crítica

Posted by J L em Fevereiro 20, 2007

Paradigma é um conjunto de crenças, valores e técnicas que são partilhados por todos os elementos de uma comunidade científica.

 

Na actualidade defende-se a existência de três grandes paradigmas na investigação educativa: positivista, interpretativo ou qualitativo e sócio-crítico.

 

No paradigma positivista a natureza da realidade é única, fragmentada, tangível e simplificadora. Para o paradigma interpretativo a realidade é múltipla, intangível e holística. Para o paradigma crítico a realidade é dinâmica, evolutiva e interactiva.

 

O processo de investigação no paradigma positivista está livre de valores em que o investigador pode assumir uma posição neutra. No paradigma interpretativo os valores do investigador exercem influência no processo. No paradigma crítico a ideologia e os valores determinam qualquer tipo de conhecimento.

 

A defesa destes modelos tem sido muito controversa. A maioria dos autores refere que as alternativas à metodologia baseada no empirismo lógico são a teoria interpretativa e a crítica. (Fernandez, 2002)

 

Deste modo parece estar instalado um clima de mudança relativamente aos postulados tradicionais. Coloca-se em causa o estabelecido, há problemas que não são resolvidos e que preocupam os investigadores.

 

Estamos perante uma ruptura no paradigma dominante com o aparecimento de novos paradigmas para ultrapassar essas dificuldades.

 

A mudança de paradigma não é um processo simples, nem imediato. Segundo Lakatos (1978, citado em Coutinho, 2005) os paradigmas nem sempre competem entre si, os antigos não morrem, na maior parte das vezes são “completados”.

 

Reforça-se a ideia de complementaridade em vez de incompatibilidade. Estamos perante aquilo a que Kuhn (1984, citado em Coutinho, 2005) denominou de relatividade dos paradigmas científicos.

 

Relativamente à investigação educativa Bidarra (1996, citado em Coutinho, 2005) refere que é um campo onde convergem múltiplas perspectivas paradigmáticas. A complementaridade dos paradigmas defendida por alguns autores explica assim a ausência de um paradigma dominante nas ciências sociais.

 

Apesar do esforço dos positivistas, muitos autores partilham a impossibilidade e incapacidade deste paradigma para resolver os problemas educativos. Surgiu então o paradigma qualitativo ou interpretativo que “pretende substituir as noções científicas da explicação, previsão e controlo do paradigma positivista pelas compreensão, significado e acção” (Coutinho, 2005), penetrando no mundo pessoal dos sujeitos em determinado contexto social.

 

O paradigma sócio-crítico engloba várias tendências (neo-marxista, feminista, freiriano, participatório, transformista) que consideram que o paradigma interpretativo mudou as regras do jogo mas não a natureza do mesmo (Mertens, 1997; citado em Coutinho, 2005).

 

Na investigação educativa a teórica crítica de Habermas é uma das que sustenta o novo paradigma, desafia o reducionismo do paradigma positivista e o conservadorismo do paradigma qualitativo. (Bravo & Eisman, 1998)

 

Nesta abordagem a ideologia surge como ligada ao factor cultural e social para produção do conhecimento científico com o objectivo de modificar a mundo rumo à liberdade, justiça e democracia.

 

Segundo Bravo & Eisman (1998) a teoria critica do conhecimento baseia-se nos seguintes pressupostos:

 

          Nem a ciência nem os procedimentos metodológicos empregues são “asépticos” puros e objectivos. A investigação constrói-se a partir das necessidades naturais da espécie humana e depende das condições históricas e sociais. A ciência é apenas um tipo de conhecimento entre outros.

 

          O tipo de explicação da realidade que oferece a ciência não é objectiva nem neutral. De acordo com as teorias do conhecimento de Habermas o conhecimento humano possui três interesses: técnico prático e emancipatório.

 

          É a ideologia que possibilita a compreensão do real de cada indivíduo, descobrindo os seus verdadeiros interesses. A emancipação realiza-se nos aspectos libidinal, institucional e ambiental.

 

Como já referimos, do ponto de vista crítico a realidade é dinâmica e evolutiva. Os indivíduos são agentes activos da construção e configuração da realidade que tem um sentido histórico e social.

 

A finalidade da ciência é contribuir para a alteração da realidade enquanto que a investigação é o meio que possibilita aos indivíduos analisar essa mesma realidade através da reflexão (teórico-prátrica), elemento fundamental para a produção da cultura ciêntífica. A teoria e a prática formam um todo inseparável. Todos os fenómenos são analisados do ponto de vista teórico e prático (acção).

 

O conhecimento desenvolve-se de acordo com um processo de construção e reconstrução da teoria e da prática.

 

De acordo com a teoria crítica, nas ciências sociais os participantes convertem-se em investigadores. Esta característica é claramente diferente das posições positivistas e interpretativas. O investigador das ciências naturais e o observador da ciência interpretativa unicamente poderiam captar o exterior da acção.

 

As diferentes concepções epistemológicas abordadas anteriormente geram procedimentos metodológicos diversos na resolução dos problemas da investigação educativa.

 

Segundo Bravo & Eisman (1998) podem distinguir-se três metodologias que derivam directamente dos paradigmas anteriormente expostos: metodologia quantitativa, a metodologia qualitativa e a metodologia crítica.

Em seguida iremos comparar estas três metodologias a partir dos seguintes critérios: problemas da investigação, desenho, amostra, recolha de dados, análise e interpretação de dados e avaliação da investigação.

 

1.         Problemas da investigação

 

Positivista – os problemas surgem das teorias, os conhecimentos são difundidos através da bibliografia científica.

Interpretativo – o objecto do problema é conhecer uma situação e compreende-la através da visão dos sujeitos (percepções e sensações).

Crítico – os problemas partem de situações reais e têm por objectivo transformar essa realidade vivenciada, partem da acção.

 

2.         Desenho da investigação

 

Positivista – estruturado, existe um projecto inicial onde se especificam as tarefas a realizar.

Interpretativo – aberto, flexível e emergente, é através da observação da análise dos dados que surgem os dados necessários para a investigação.

Crítico – dialéctico, vai-se gerando através do diálogo e consenso no grupo de investigação.

 

3.         Amostra

Positivista – utilizam-se procedimentos estatísticos, a generalização dos resultados faz-se a partir de uma amostra representativa da população.

Interpretativo – não está previamente determinada, vai-se ajustando ao tipo e à quantidade de informação que se precisa em cada momento. Geralmente usam-se amostras pequenas e estatisticamente não representativas.

Crítico – os interesses e necessidades dos sujeitos determinam os grupos de investigação, a maior preocupação não é a generalização dos resultados.

 

4.         Técnicas de recolha de dados

 

Positivista – instrumentos válidos e fiáveis.

Interpretativo – técnicas qualitativas.

Crítico – apesar de utilizar procedimentos qualitativos e quantitativos, existe uma maior preocupação nos aspectos qualitativos e na comunicação pessoal.

 

5.         Análise de recolha de dados

 

Positivista – técnicas estatísticas

Interpretativo – a análise e interpretação de dados ocupa uma posição intermédia no processo de investigação. Pretende-se delimitar o problema, avançar hipóteses e determinar conclusões.

Crítico – participação do grupo de investigação na análise e interpretação de dados que se realiza através da discussão e pesquisa. Na interpretação dos dados relacionam-se factores pessoais, sociais, históricos e políticos.

 

6.         Análise e interpretação de dados

 

Positivista – validade interna e externa, fiabilidade e objectividade

Interpretativo – não existe unanimidade acerca destas questões. Enquanto alguns autores defendem a necessidade de usar critérios científicos de validade e fiabilidade, outros propõe critérios qualitativos (credibilidade, transferabilidade, dependência e confirmabilidade). Contudo todos os autores concordam em utilizar técnicas próprias de validação: triangulação, observação sistemática, etc.

Crítico – para que um pressuposto seja válido deve haver o acordo dos outros – validade consensual. A validade recai sobre a acção.

 

Conclusão

 

Sintetizando podemos referir que o modelo sócio-crítico tem semelhanças com o qualitativo, no entanto, a ideologia e os valores determinam o tipo de conhecimento atribuindo-lhe um cariz mais interventivo. Os fenómenos são analisados do ponto de vista técnico e prático (acção), o que tem dado origem a vários trabalhos de investigação na área da educação. Estes estudos agrupam-se em torno da designação geral de “Investigação-Acção”. (Coutinho, 2005)

 

Bibliografia

Coutinho, Clara Maria Gil Fernandes Pereira (2005), Percursos da Investigação em Tecnologia Educativa em Portugal: Uma abordagem Temática e metodológica a publicações cientificas (1985-2000), Braga, Universidade do Minho.

 

Cohen, Louis; Manion, Lawrence (1990), Métodos de Investigação Educativa. Madrid. Editorial La Muralla. 

Fernandez, Luis Sobrado (2002), Diagnóstico em Educação. Lisboa. Instituto Piaget. 

Bravo, Maria Pilar Colás; Eisman, Leonor Buendía (1998), Investigación Educativa. Sevilla. Ediciones Alfar.

 

 

 

 

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top web 2.0 – aqui estão os mais nomeados …

Posted by J L em Fevereiro 9, 2007

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power point sobre os indicadores de qualidade

Posted by J L em Fevereiro 9, 2007

 

Resolvi disponibilizar aqui no blogue o trabalho em power point elaborado no nosso curso sobre os indicadores de qualidade de um site. para fazeres o download clica aqui

indicadores de qualidade - clica aqui

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podcasting e muito mais … gravar, copiar e colar … mp3

Posted by J L em Fevereiro 9, 2007

Há alguns anos atrás existia o gravador de cassetes onde gravávamos os nossos programas favoritos. Hoje em dia temos o Audacity.

Free Sound Editor and Recording Software

Este programa permite gravar, em tempo real, tudo o que ouvimos no nosso computador, por exemplo o nosso programa de rádio favorito ou um cd. Além disso podemos abrir a maior parte dos ficheiros áudio, cortar e colar e converte-los para vários formatos inclusive para mp3. Neste último caso temos de fazer o download de uma aplicação chamada Lame. Para mais informações sobre este procedimento deverá ler a ajuda: Como copiar e instalar o Lame MP3 encoder?

Homepage: audacity
audacity: download
lame: download

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tabelas no blog com esta ferramenta colaborativa

Posted by J L em Fevereiro 9, 2007

 

O writely passou a chamar-se Google Docs & Spreadsheets, agora além do processador de texto online podemos também usufruir de uma folha de cálculo. A cada documento publicado é dado um endereço ao qual podemos aceder directamante.

Nota – para aceder a este programa tem de ter um conta de email do google (gmail).

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em 2007 a blogosfera atingirá o ponto de saturação

Posted by J L em Fevereiro 9, 2007

 

A Gartner prevê que a criação de blogs poderá atingir o topo da popularidade em 2007. A consultora estima que no final do primeiro semestre do próximo ano existam 100 milhões de páginas deste género e que, a partir dessa data, os números comecem a descer.

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del.icio.us – favoritos online com a web 2.0

Posted by J L em Fevereiro 8, 2007

del.icio.us – é um software online (web 2.0) que permite guardar e aceder aos teus favoritos a partir de qualquer computador com uma ligação à internet.

para saberes mais clica aqui
para te registares clica aqui

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web 2.0 – processadores de texto

Posted by J L em Fevereiro 8, 2007

estamos habituados a ter o nosso processador de texto – na maioria das vezes chama-se microsoft word – instalado no nosso PC, no entanto, com a web 2.0 esse processo não é necessário.

com esta nova tecnlogia as nossas aplicações passam a estar online. outra vantagem é que, por agora, esta tecnologia é gratuita.

por vezes para a construção deste blog recorro ao writely. até hoje achava que esta era a melhor aplicação deste tipo, contudo hoje conheci uma outra que se chama: ajaxWrite.

por enquanto não vou deixar aqui a minha opinião sobre esta última aplicação, espero que experimentem ambas e depois deixem aqui o vosso comentário.

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Desktop ou Webktop

Posted by J L em Fevereiro 8, 2007

O termo Web 2.0 foi lançado como uma fórmula de marketing numa série de conferências em Outubro de 2004. Não existia uma definição precisa deste termo. Os seus criadores entendiam que a Web estava a entrar numa nova etapa da sua existência com o surgimento de serviços novos e inovadores e que o velho termo (Web 1.0) estava fora de moda.

 

Segundo a Wikipédia o termo Web 2.0 refere-se à segunda geração de serviços e aplicativos da Web e aos recursos, tecnologias e conceitos que permitem um maior grau de interactividade e colaboração na utilização da Internet. As aplicações desta geração disponibilizam interfaces tão dinâmicas quanto as existentes nas tradicionais aplicações desenvolvidas para desktops.

 

A vulgarização da banda larga e o aparecimento de inúmeras aplicações AJAX têm contribuído para que o utilizador começa a acreditar na Web 2.0 e a substituir, sem dar por isso, a sua forma de estar. Quantos de nós já preferimos o Gmail ao Outlook?

 

Estamos a assistir a uma mudança gradual, mas sustentada. Em breve, os nossos computadores passarão a possuir apenas o sistema operativo e um browser, as aplicações, baseadas na tecnologia AJAX, já não estarão do lado do utilizador, mas do lado do servidor, serão carregadas a partir da rede.

 

Segundo Paulo Trezentos da revista bits&bytes, o termo Desktop poderá vir a ser substituído por Webktop. Para este especialista, “Webktop é um computador em que as aplicações não estão armazenadas localmente mas são executadas via web”. De acordo com o mesmo autor “as vantagens do webktop são inúmeras: custo mais baixo de manutenção, ciclo de novas versões mais rápido, possibilidades de trabalho colaborativo, documentos centrados e armazenados de forma segura, mudança de paradigma de “compra de software” para “subscrição de serviço”, menor necessidade de hardware potente porque parte das aplicações corre no servidor”.

 

Apesar de ser um adepto destas novas tecnologias acho que elas ainda estão numa fase embrionária. Basta comparar por exemplo a aplicação Writely com a Microsoft Word, rapidamente me lembro do meu velhinho macintosh de há 12 anos atrás.

 

O avanço das aplicações desktop, a confidencialidade e a segurança dos dados parecem ser as três maiores desvantagens da web 2.0 em relação às aplicações tradicionais. Contudo é, sem dúvida, muito atractivo ter uma aplicação que funciona em qualquer plataforma (Windows, Linux ou Mac), em qualquer lugar e que não necessita de ser instalada. Os grandes beneficiados são os utilizadores por isso devemos testar, familiarizar e incentivar o uso destas novas tecnologias de forma a preparar esta mudança.

 

Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0

Revista bits&bytes de 15 de Dezembro de 2006

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skype

Posted by J L em Fevereiro 8, 2007

 

 

 depois de instalarem e se inscreverem, não se esqueçam de dizer olá.
o meu username é: jose.lucio

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